quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MULHERES DE ATENAS


Quando eu tinha 12 anos descobri o Chico Buarque. Já havia lido em alguns livros de Língua Portuguesa a letra de algumas músicas dele como a “”A banda’’.

Eu gostava de ler, lia tudo o que me davam e o que achava! Minha tia Iza tinha uma estante cheia de livros. Ela é professora, e minha diversão era ler, naquele tempo não tinha vídeo game, nem podíamos ir para a rua brincar, não tinha computador (msn, orkut, e-mail) e só sobrava ler!!

Passava horas lendo e o que mais gostava eram os livros de Língua Portuguesa por causa dos textos, havia também músicas, poesias, sonetos, trechos de livros que queria muito ler na íntegra mas nunca deu. Adorava os livros de biologia e os de inglês onde aprendi meu primeiro vocabulário.

Pois sim, aos 12 descobri o rádio, e passei a ouvir músicas também!

Hoje não sei como está o rádio, pois não tenho tempo para ouvi-lo, mas naquele tempo tocava muito Chico Buarque, Toquinho, Caetano, Roberto Carlos, Maria Betânia e por aí vai. Eu passei a gostar muito, inclusive de Chico e um dia uma colega me emprestou um disco dele, (naquele tempo era disco de vinil) e me apaixonei por ele! Sabia as letras das músicas, mas não conhecia a melodia, a voz dele não é lá essas coisas, mas as letras...

E uma das minhas favoritas era Mulheres de Atenas.

Claro que com 12 anos eu não entendia a interpretação dela, mas hoje tenho a minha opinião que até diverge do autor.

Mulheres de Atenas é uma linda canção com metáforas maravilhosas, apesar da repetição, não torna-se cansativa e diz muito em pequenas frases, porém requer um pouco de conhecimento das histórias da Grécia.

Eu gostava de mitologia quando era criança, aquelas histórias me fascinavam! Elas foram apresentadas a mim por meu pai, que era um fã inveterado de todo tipo de história.

Escrevi Mulheres de Atenas quando ainda não tinha blog, hoje reformulei-o e escrevi o que queria, o que queria dizer das mulheres. E como representante da classe feminina não é tarefa fácil falar a realidade, não é fácil dizer que é bom ser feminina e frágil, que é gostoso se sentir protegida por um homem, infelizmente as mulheres estão esquecendo disso, mas...cada um no seu cada qual!






Eis o texto:


Eu sou uma mulher de Atenas

Quem não conhece a música do célebre Chico Buarque “’Mulheres de Atenas’’?

Quando Chico compôs esta música foi muito criticado na época pelas feministas q/ insistiam em ver uma depreciação a mulher. Mas lêdo engano! Chico quis dizer o contrário “”Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas’’significava para ele “sigam o exemplo daquelas mulheres e vejam no que vai dar’’. Mas...será que é isso mesmo?

Costumo dizer que as mulheres aprenderam muitas coisas com os homens nos últimos 300 anos e junto com isso também tudo o que não presta veio junto. Aprendeu a mentir, a enganar, a trair, a perder a feminilidade e a sua identidade de mulher quando confundem direitos com comportamento.

As mulheres de Atenas eram tidas como submissas por que viviam para os seus maridos orgulho e raça de Atenas, eles iam para a guerra e elas ficavam a cuidar dos filhos e esperá-los.

E hoje?

Quantas não cuidam dos filhos enquanto o homem vai para a batalha diária?

Ele usa a história de Penélope que esperou seu marido por vinte anos, e enquanto isso seus pretendentes insistiam que ele havia morrido, ela resolveu tecer uma mortalha, por que era costume da época as mulheres fazerem isso para os entes queridos que estavam próximo a morte, porém ela desmanchava o trabalho a noite e nunca ficava pronto! Ela sabiamente dizia que se casaria quando terminasse o trabalho e tinha esperança que Ulisses voltasse. Quando ele voltou matou todos os pretendentes dela por que eles também não queriam somente a ela e sim também toda a riqueza que o marido deixou ”’

“’Quando eles embarcam soldados elas tecem longos bordados, mil quarentenas””.

Hoje quantas vezes tecemos nossos bordados querendo esquecer um grande amor?

Helena também é citada na música, ela era considerada a mulher mais bela do mundo, na estrofe.

”’Qdo eles se entopem de vinho costumam buscar o carinho de outras falenas, mas ao fim da noite aos pedaços quase sempre voltam pros braços de suas pequenas Helenas”

Entende-se que apesar dos homens procurarem outras mulheres eles têm em casa uma mulher bonita e que serve a ele, por isso sempre voltam nem que seja aos pedaços!! Bem, de Atenas para cá nenhuma novidade hoje!!

“’As jovens viúvas marcadas, e as gestantes abandonadas não fazem cenas, vestem-se de negro e se encolhem, se confortam e se recolhem as suas novenas, serenas”.

Quantas hoje são abandonadas grávidas e trabalham para criar o filho com dignidade?

Mulheres de Atenas nada mais é do que o retrato do que uma mulher pode ser na realidade ontem e hoje, mesmo tendo um papel submisso foram elas que criaram o povo de Atenas, cuidando dos filhos e esperando seus maridos, elas fizeram a espécie continuar enquanto os homens matavam, sem elas Atenas simplesmente teria desaparecido . Esse papel que parecia tão submisso na verdade foi a salvação de uma nação, com sua submissão as Mulheres de Atenas preparavam seus soldados ainda crianças e foram responsáveis pela perpetuação da espécie naquele local. Naquela época os homens não reconheciam, mas hoje somos respeitadas pela nossa dedicação e contribuição, o papel hoje está bem definido, conseguimos mostrar nosso valor.

Porém este espaço conquistado pela mulher pode ser perdido por que as mulheres querem perder sua identidade, identidade esta que faz com que tenha o domínio sobre o homem. A subserviência não pode ser vista somente de modo pejorativo, ela tem seu lado bom e sua serventia, até quando querem nos diminuir acabamos sendo úteis e nos sobressaímos de alguma forma.

Ser feminina não é defeito, nem é condição para que se ganhe o mercado e se transforme em outra espécie masculina concorrendo com o homem, não somos concorrentes somos partes diferentes, nem tampouco somos metades, por que somos distintos um do outro. Não vejo problema algum em ser frágil e aceitar isso, na Enfermagem somos mulheres em maioria, mas quando tem um homem no plantão é a ele que recorremos na hora que somos agredidas ou estamos em perigo, nos escondemos atrás deles, instintivamente procuramos por eles, pois são eles que nos protegem, isso não é desmerecimento para ninguém. De alguma forma no dia a dia fazemos o mesmo papel que temos, mesmo sem termos envolvimento emocional, procuramos o homem mais próximo para nos ajudar. Da mesma forma eles nos procuram para resolvermos seus problemas, uma dorzinha aqui, um botãozinho que caiu da bata, e por aí vai.

A mulher moderna trabalha, procria, estuda, é mãe, esposa, amiga, amante, confidente, advogada, psicóloga, enfermeira, médica e as vezes mãe do marido.

Um ser desse ainda precisa competir com alguém? Precisa querer ser igual para se sobressair?

Somos mulheres, seres especiais, geramos e comandamos o futuro da espécie e não esqueçamos que os homens são o que são por que somos nós que os criamos. Você que não tem filho ainda, pense bem quando for criar um homem, faça de conta que você está criando o homem dos seus sonhos, ensine-o a respeitar a fragilidade feminina, a ser protetor, carinhoso, paciente e consciente do seu papel de homem, mostre-o que somos frágeis e maravilhosas! assim que crio o meu! E homem só é homem quando tem esses adjetivos todos, fora isto é apenas um projeto inacabado do gênero masculino.

Ah! E podem se mirar no exemplo daquelas mulheres de Atenas, sem medo de ser feliz.



Mulheres de Atenas
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque



Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Vivem pros seus maridos

Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam

Se banham com leite, se arrumam

Suas melenas

Quando fustigadas não choram

Se ajoelham, pedem imploram

Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Sofrem pros seus maridos

Poder e força de Atenas

Quando eles embarcam soldados

Elas tecem longos bordados

Mil quarentenas

E quando eles voltam, sedentos

Querem arrancar, violentos

Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Despem-se pros maridos

Bravos guerreiros de Atenas

Quando eles se entopem de vinho

Costumam buscar um carinho

De outras falenas

Mas no fim da noite, aos pedaços

Quase sempre voltam pros braços

De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Geram pros seus maridos

Os novos filhos de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade

Nem defeito, nem qualidade

Têm medo apenas

Não tem sonhos, só tem presságios

O seu homem, mares, naufrágios

Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Temem por seus maridos

Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas

E as gestantes abandonadas, não fazem cenas

Vestem-se de negro, se encolhem

Se conformam e se recolhem

As suas novenasSerenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Secam por seus maridos

Orgulho e raça de Atenas



















4 comentários:

marcela disse...

Muito bom lembra da estante da titia. Também viajei muito ali. Digo sempre aos meus alunos que o primeiro livro que li foi Meu pe de laranja lima. Nunca esqueci dele.
Aquela estante me ajudou a ser o que sou hoje.
Quanto ao Chico (aaaahh, aquele olhos de ardósia!),que bom que tivemos o privilégio de crescermos escutando suas músicas. Gosto muito de Cálice.
Parabéns,tá muito legal por aqui. Bjs.

Rogério Camurça disse...

Excelente texto! Você toca num ponto importante do aspecto das conquistas femininas: desde sempre, o feminismo e seus movimentos nunca tiveram a intenção de tornar as mulheres respeitadas ou proporcionar, a todas, maior reconhecimento. Todos sempre se pautaram em masculinizar as mulheres (é a velha história dos "direitos iguais"!) Pura baboseira!

As mulheres têm que se dar valor e abrir espaço com suas competências e habilidades. Hoje, tanto faz ser homem ou mulher; se for incompetente, está frito!

Apesar da contradição da letra da música - bem apropriada ao estilo tosco do Chico, que com sua torpeza de espírito e mau-caratismo, iria interpretá-la ao que quisesse, dependendo do tempo -, dá uma luz ao que você quis dizer. Beijos.

Anônimo disse...

Fiquei encantada com seu blog. Seus textos convidam à ler mais e mais... Vi seu blog através da Marcela.
Bjks carinhosas!!!!!!!!!!!!!

Elisabeth Lorena Alves disse...

Olá Jane,
Vim aqui para ler o texto que você indicou no PM, quando leu meu insigne Enfermeiro.
Acabei ficando encantada com Mulheres de Atenas.
Em meu trabalho aqui na ONG sempre deixo claro para as mulheres que somos especiais e que por isto nãso precisamos de competirmos com os homens para termos um lugar ao sol. Digo que estamos exposta a ele desde o nascimento, já que somos diferentes destes seres tão necessários, mas tão infentis.Lembro sempre que somos seres quase completos, e que somos presenteadas com os homens de nossas vidas.Se conseguirmos sermos naturais sempre, alcançaremso muito mais felicidade do que se vivermos em constante competição.
E encontrar parte do que acredito aqui em, teu texto, me faz ver quão perto da felicidade estou, já que vivo de acordo com minhas crenças.
obrigada por saber expor tão bem e belamente sua maravilhosa opinião.

Elis